Adaptação de "Talvez, eu não volte" do blog Amor Abusado * Tudo mudou neste último mês, as mensagens não tinham a mesma ans...

VOU TE AMAR PRA SEMPRE

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Adaptação de "Talvez, eu não volte" do blog Amor Abusado*

Tudo mudou neste último mês, as mensagens não tinham a mesma ansiedade de serem recebidas, as chamadas perdidas não ganhavam a felicidade de serem retornadas. A ânsia de contar as horas para minimizar a distância, passou a ser sinônimo de "obrigação", de prisão. Deixar o ciúme falar mais alto, só porque alertava perigo, potencializava o medo de ser substituída por alguém melhor.
A gente se amou muito nestes últimos anos. Tivemos a nossa maior batalha travada: conviver com as normalidades. As viagens para a cidade vizinha, noites sem dormir em um lugar totalmente estranho e desprotegidos, as melhores noites de sexo, e varias festas estranhas com gente esquisita regada a álcool e muita musica que nem sempre era boa e logo o desespero de ouvir “sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagens…”, se tornando gritos de “me esquece”. O tempo, muito abusado, não deu trégua para recuperarmos, dos erros perdoáveis, das palavras ditas por bocas motivadas pela dor do retruque.
Hoje, é um dia que levantei sem ter uma nova mensagem. Não que eu a espere todas as manhãs, mas acredito que acostumei com o gesto de ter pelo menos um "bom dia" ou um "boa tarde" me esperando. E é normal eu revisar o celular a cada cinco minutos para checar uma nova atualização. Não que eu aguarde, só ainda não perdi o hábito.
Por mais que me pareça difícil, eu tenho que te deixar ir. Arrumar as malas, tirar as fotos que ainda estão pela casa e tentar ocupar a mente com atividades quando a saudade bater. Tenho que ser forte, ler três livros ao mesmo tempo, se preciso for. Fazer aula de italiano, viajar, estudar, cantar o refrão daquela música que me lembra você no inglês pronunciável apenas por mim. Preciso ter maturidade e admitir, que o interesse do relacionamento partiu. Todos me deixaram, até mesmo o amor. Saiu sem avisar, assustado no meio de tanto "deixa pra la", "ele vai perceber", "ele vai se importar", que preferiu ser educado e sair à francesa.
Ontem, enquanto eu arrumava o que sobrou de mim, retirando algumas coisas que sempre deixava pra depois, encontrei uma pasta. Ela estava escondida, jogada no fundo do guarda roupas. Resolvi abri, já fazia tempo que ela estava la, guardada ou devo dizer esquecida. Lá, bem no fundo, de baixo de todos os outros continha um cartão esquecido do nosso primeiro dia dos namorados escrito as três palavrinhas que por algum motivo me colocou no chão: “EU TE AMO MUITO.” com a sua letra que sempre invejei mesmo você dizendo que não era bonita e um coração quase perfeito, era o cartão da primeira caneca que me deu, você sabia que eu amava canecas.
A nossa história acabou? Não sei, isso só o tempo pode dizer e algo me diz que nem ele sabe o que vem a seguir, contudo, a amizade manda te dizer que daqui ela não sai. A única que pede alguma coisa neste momento é a mente, que precisará de tempo para curar as dores. Estaremos íntimos apenas pelo mesmo pensamento: seguir em frente ou tentar.
Obrigado pelos dias de sol por aí, pelas longas noites de conversas, pelas gargalhadas ecoadas nos domingos tediosos, pelos abraços em dias e noites frias, por ter sido meus olhos quando as decisões me cegaram. Eu te amei tanto, que infelizmente não tive espaço para poder me amar de volta.
E antes de ir aproveitei para pedir ao chefe lá de cima, que cuide deste seu sorriso que sempre amei, já que não estarei mais por perto. Eu já vou me despedindo aqui, antes que as lágrimas borrem ainda mais as lembranças dos anos mais felizes que tive na minha vida. E ah, não espere um total esquecimento. Vou te amar pra sempre.



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